quarta-feira, 24 de outubro de 2012

AMOR!


Caleidoscópio em movimento descontínuo

Que gira com o caminhar do aprendiz

Criando multe-formas mandalares

De combinações tênues e intensas;

Expressões de um corpo que sente

E reflete cadência ou descompasso rítmico

De ser eternamente navegante do tempo:

Vento que faz velejar a embarcação da vida.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CALE-SE!



 
É o barulho interno que grita mais alto que a batucada.
A batucada é convite à vida que parece morrer.
Uma morte silente de olhos que olham para dentro e vê o invisível aos olhos, mas não sabe o que fazer.
Tentei acalmar a mente, calar o grito que mandava calar-me ou entender o que aquele “calar” queria dizer.
Nada se aquietou...
Apenas um turbilhão crescente de interrogações povoava a mente, lágrimas teimavam em escorrer pelos cantos dos olhos e o silêncio agarrava como garras, arranhando com força a garganta para fazê-la incapaz de falar.
Tentei libertar as amarras, aceitar o convite da festa, deixar o canto sair e o corpo dançar, mas o grito dizendo “cale-se!” virou ordem, emudeceu-me.
A garganta, de tão irritada calou-se por dias.
E enquanto silenciava, ouvia do mais fundo do fundo do poço, de onde vinha todo aquele barulho interno, um som em sussurros mínimos, dizendo para seguir.


Dalva de Castro, Piaçabuçu/AL.

SOU DO MATO



Sou do mato, do chão de terra, do cheiro de capim, do toque da umidade sobre a pele.
Sou da noite, do céu de estrelas, da luz da cadeira que ilumina o terraço.
Sou de canções e histórias ao redor da fogueira.
Sou do carinho que se faz a cada acordar.
Sou da mesa barulhenta de tanta gente a falar.
Sou da casa grande, de meninos correndo, brincando de esconde-esconde.
Sou do dedo que lambe a panela de bolo, da mão que enrola o biscoito.
Sou dá lágrima envergonhada que ainda assim se faz ver.
Sou do mundo, do universo, sou do ir e do voltar.
Sou do canto que se chama casa, onde a família se deixa encontrar.
             Dalva de Castro, Piaçabuçu/AL.

DANÇA DA VIDA



Em busca. De mim. Do movimento...
Em busca de quebrar as amarras que aprisionam o corpo em movimento.
Em busca de encontrar, no outro, um pouco do eu meu.
Querendo cuidar do que fui e ficou.

Do que sou e ficará,
do que serei a partir do que fui e sou.
Querendo descobrir-me e libertar-me.
Querendo paz, prazer,
Querendo o que nem sei ainda ser...
Senti medo e raiva do medo.

Medo de errar, como se houvessem erros.
Medo de gozar, como se fosse pecado.
Medo de entregar-me, como se fosse proibido.
Medo de ousar, como se fosse temeroso descobrir o novo.

Tive vontade de me jogar no chão e não o fiz.
Tive vontade de voar e não consegui.
Tive receio de machucar os outros e limitei meus movimentos.
Tive vontade de manter sempre os olhos fechados, mas os abri.

Senti tanto e tão pouco,
fiz apenas o que deu pra fazer.
Mas criei a certeza de que esse pouco
se ampliará no movimento da dança, reverberará nas ondas sonoras,
criará uma nova forma e plasticidade de um ser que,
em sendo uma intensão de ser, está sendo, constantemente.

Dalva de Castro, Piaçabuçu/AL.

sábado, 7 de abril de 2012

METADE

Metade de mim tem desejos
Metade só quer se aquietar
Metade segue sonhando acordada
Metade acorda pra vida andar
Metade é um querer sossego, calmaria
Metade, um fogo querendo aventurar
Metade de mim se satisfaz em ser
Metade não sabe se contentar
Metade de mim quer a morte:
Estagnação serena de um cotidiano em paz
Metade, a agitação de um anseio à vida:
Uma turbulência dionisíaca infernal
DALVA DE CASTRO - ABRIL DE 2012

terça-feira, 17 de maio de 2011

VOAR

(Dalva de Castro – 12/04/2011; inspirado em Linete Matias).

Deixa ir quem tem sede de alturas
É preciso ir para saber se há querer de voltar
Conhecer o mundo para escolher o lugar onde se quer ficar
É preciso alçar vôo, subir alto, olhar de cima
Para visualizar o melhor lugar onde se deseja pousar

Deixa ir quem quer voar
Tem melhor vista os que estão no ar
Quanto mais alto se chega
Mais campos em flores se vêem,
Mais cheiros diferentes se sentem,
Mais cores se descobrem,
Mais sons se percebem,
Mais o mundo se conhece.

Quanto mais se vê o mundo
Melhor a escolha do pouso, do canto pro ninho.
A liberdade é a melhor maneira de saber onde se quer estar.

Dá saudade a distância,
Mas só a ausência mostra,
Do outro, a importância

Cuidar das asas mesmo no regresso para outros vôos alçar.
E quando não mais houver forças e desejos de voar
Quando as penas já de fruta-cor se fizerem pintar
Ter na memória da vida, muitas histórias a compartilhar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MINHAS ORIGENS

(Dalva de Castro em 09/05/2011)


Trago dentro mim um pouco de muitos outros
Meus pais, avós, bisavós, trisavós, tataravós...
Origens que vêm de longe e vivem no que eu sou

Sou um que nasceu de dois
E cada dois que me fez nascer
Também veio de mais dois.

Não sou só, tenho irmãos
Então dos dois que me fizeram
Outros uns também nasceram

Uns que carregam dois,
Sendo, portanto três
E muito mais do que isso
Já que cada um dos dois
Carrega outros dois,
Que carrega outros dois,
Que carrega outros dois,
(...)
Ufa! Cansei.

Se carrego em mim tantos outros
Que sou de verdade?
De onde venho,
Quem foram meus outros eus?

Que bagunça na cabeça
Quanta coisa a descobrir
Quanta história pra contar
Deve haver dentro de mim

É como um fio de infinito
De gente que gera gente
E nesse nascer constante
Segue a vida eternamente.